Documento Final – IV Assembleia Plenária MVC

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 MOVIMENTO DE VIDA CRISTÃ

IV ASSEMBLEIA PLENÁRIA

19 a 25 de janeiro de 2015

“Viver e anunciar a alegria do Evangelho”

DOCUMENTO FINAL


Arequipa, sábado, 24 de janeiro de 2015.

Queridos irmãos e irmãs,

O documento que lhes apresento é o resultado do trabalho realizado durante a IV Assembleia Plenária do MVC.  Recolhe a experiência, reflexões e orientações propostas para nosso serviço apostólico durante os próximos cinco anos[1].

Recebemos com alegria e gratidão a bênção apostólica do Sucessor de Pedro, cuja Exortação Apostólica Evangelii gaudium guiou nossas reflexões e trabalhos.  Ressoou em nossos corações seu convite para sermos cada vez mais um movimento em saída, que testemunhe a alegria do Evangelho: «Espero que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão»[2].

Escutamos o chamado a uma profunda renovação em nosso desejo de santidade e identidade apostólica e queremos viver isso com grande alegria, ardor e dinamismo.

Três palavras nos acompanharam nestes dias e acreditamos que devem marcar um espírito fundamental no Movimento: unidade, reconciliação e apostolado. É por isso que exorto todo emevecista, em cada região, localidade e centro apostólico, pertencente às distintas associações e serviços, a ler e refletir este documento, discernindo a melhor maneira de aplicá-lo.

Que Nossa Mãe nos guie sempre para que vivamos intensamente nossa vocação apostólica e compartilhemos com todos a alegria do Evangelho!

Alexandre Borges
Coordenador Geral do Movimento de Vida Cristã 


Prólogo

1        Nós nos reunimos como Assembleia Plenária do Movimento de Vida Cristã, na cidade de Arequipa (Peru) —onde o carisma com o qual Deus nos abençoa lançou raízes profundas—, para olhar de modo renovado o horizonte da missão a que hoje nos convida o Senhor Jesus.  Durante estes dias iniciamos com alegria cada jornada celebrando o dom da Eucaristia, que nos alimentou e sustentou.  Trabalhamos juntos.  Em um diálogo sincero e fraterno constatamos a riqueza dos dons com os quais Deus nos abençoa, assim como o maior compromisso e iniciativa que fomos assumindo, todos os membros do MVC, nos diversos lugares e culturas aonde o Espírito Santo nos convocou para servir.

2         Novamente nossa Mãe se fez presente em nosso caminhar.  Desta vez de maneira especial no manto de Guadalupe.  Reconhecemo-nos nesse rude poncho de São Juan Diego que nos convida à humildade.  Sua voz suave se dirige a nós falando-nos docemente de confiança, reconciliação, evangelização e amor a seu Filho.  Temos a íntima convicção de que se formos como “o menor de seus filhos”, Ela fará florescer rosas de Castela em nossas vidas.

3          Como emevecistas somos e nos sentimos filhos da Igreja.  Por isso, seguindo o exemplo de escuta e acolhida de nossa Mãe Maria, deixamo-nos iluminar e questionar pelos ensinamentos do Papa Francisco[3].  Queremos acolher com consciência e maturidade o convite que nos faz na Exortação Apostólica Evangelii gaudium, para viver e anunciar a alegria do Evangelho, sendo também nós uma porção da Igreja em saída, que quer chegar, com audácia, a um mundo que precisa encontrar-se frente a frente com a Boa Nova de Jesus Cristo.

4        Deus, na Sua providência, quis que nossa IV Assembleia fosse celebrada no ano em que a Igreja universal dedica uma particular atenção à vida consagrada e à família. No MVC, a diversidade de estados de vida constitui uma riqueza que nos alenta a nos apoiarmos mutuamente, para sermos capazes de mostrar ao mundo de hoje que o Amor é real e é o único horizonte de vida que vale a pena ser vivido.

       Podemos constatar com gratidão o crescimento e amadurecimento alcançados nesses trinta anos de peregrinar como Movimento. Reconhecemos com alegria e responsabilidade o lugar central que ocupa o MVC na Família Sodálite, não só por suas dimensões ou sua vitalidade, como também por ser, no seio de nossa família espiritual, lugar de encontro por excelência entre seus membros e de apostolado comum.

6        Olhando a nossa história com o realismo esperançoso do Evangelho, vemos que, junto a estas muitas bênçãos e às respostas generosas ao Plano de Deus, também houve em nossa família fatos dolorosos, incoerências e pecados que deixaram feridas. Por isso hoje, com humildade, queremos acolher a exortação de São Paulo a nos deixarmos reconciliar por Deus[4].

7      Em meio à diversidade que nos caracteriza e enriquece, somos testemunhas de uma profunda e dinâmica unidade, que se fundamenta no carisma e na espiritualidade que todos compartilhamos e que estamos chamados a continuar aprofundando. Queremos aprofundar cada vez mais nossa comunhão com Deus e entre nós, deixando-nos transformar em “odres novos” capazes de acolher o “vinho novo” que é Cristo mesmo[5]. Como a primeira comunidade cristã, também nós queremos seguir Jesus com toda a nossa vida e responder à missão de «anunciar a novidade do Evangelho com ousadia (parresia), em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo contracorrente»[6].


Renovar-nos a partir de nossa identidade

8        Nós nos descobrimos chamados a dar vida em nós à alegria do Evangelho, a dar testemunho do encontro que nos transforma e que se expressa em todas as dimensões da pessoa. Nesse espírito, durante os diálogos na Assembleia, identificamos alguns desafios e prioridades para a vida e missão do Movimento de Vida Cristã neste tempo, que nos alentam e ajudam a renovar-nos:

        Fortalecer nossa identidade emevecista, «marcada por nossa vocação ao apostolado»[7], a partir da consciência de sermos filhos da Igreja e de nosso lugar na Família Sodálite.

10       Trabalhar por uma maior unidade a partir de nossa espiritualidade e carisma e da missão que compartilhamos, procurando viver em particular a reconciliação —dom precioso que o Espírito Santo nos deu de presente[8]— que promove o diálogo fraterno, supera rupturas e torna possível o encontro.

11      Valorizar o patrimônio que recebemos, recolhendo o que foi positivo no caminho percorrido e as lições aprendidas com os erros cometidos, enriquecendo-o constantemente com nossa contribuição, para transmiti-lo com fidelidade às gerações futuras.

12        Renovar o nosso olhar à realidade atual, discernindo sob a luz do Espírito Santo e a partir do Evangelho, as situações pessoais e contextos culturais nos quais vivemos e fazemos apostolado, aproximando-nos a partir da riqueza de ser um Movimento internacional.

13        Buscar uma maior comunhão e participação na vida da Igreja local, nutrindo-nos de sua riqueza e colaborando com o nosso carisma[9].

 


Viver a alegria do Evangelho

14        «Eu vos digo isso para que a minha alegria esteja em vós e vossa alegria seja plena»[10]. Discernindo a partir de nossa identidade e carisma, descobrimos que para viver com fidelidade e alegria nossa «vocação eclesial à santidade, ao apostolado e ao serviço»[11], devemos atender nestes próximos cinco anos, com especial empenho, os seguintes desafios e prioridades:

Vida espiritual

15        Crescer em nossa abertura cotidiana à ação da graça de Deus através de uma participação ativa nos sacramentos e uma intensa vida espiritual[12].

16        Cultivar mais a nossa relação cordial com Jesus, a partir do coração de nossa Mãe, e transmitir com maior liberdade a experiência vital deste encontro[13].

17        Desenvolver e oferecer meios concretos para o acompanhamento espiritual dos emevecistas e velar, em espírito de família, uns pelos outros.

Formação

18        Assumir nossa responsabilidade pessoal de nos formar integralmente, a partir de nossa espiritualidade, para a vida e o apostolado[14].

19        Promover uma melhor formação de apóstolos de apóstolos, atendendo de forma especial àqueles que tenham um posto de serviço.

20        Alentar todos os emevecistas a desenvolver e compartilhar materiais e recursos de formação em diferentes idiomas e adaptados à cultura de cada lugar.

Organização

21      Realizar uma organização representativa e adequada a cada realidade, que gere as condições para que as responsabilidades possam ser assumidas com eficiência e se promova a comunhão entre os membros do MVC com a finalidade de um melhor serviço à missão.

22      Trabalhar por uma organização que expresse e ajude a fortalecer a identidade própria do MVC, buscando definir processos, estabelecer linhas claras para tomada de decisão e ação que ajudem em seu desenvolvimento e crescimento orgânico.

23      Promover instâncias de diálogo e comunhão entre as distintas instituições que participam no apostolado do Movimento para trabalhar por um horizonte comum e estabelecer pontes de cooperação.

24        Difundir o documento que será elaborado pelo Conselho Geral do MVC, que explicitará os princípios que guiam nossa organização e ajudará a tornar claros os processos e formas concretas de organização.

Comunicações

25        Crescer na atitude apostólica de compartilhar e comunicar nossa fé (cf. 1Pe 3,15).

26        Aproveitar melhor os avanços e os recursos tecnológicos a fim de facilitar uma comunicação mais ampla e fluida, que favoreça a sinergia e colaboração entre todos os membros, iniciativas e responsáveis do MVC.

27        Sistematizar e documentar nossas iniciativas apostólicas de forma organizada para uso e difusão.

28        Desenvolver novas modalidades de vinculação ao Movimento e de aproximação às pessoas através das possibilidades que oferecem as tecnologias de informação e comunicação.

Temporalidades

29        Alentar a corresponsabilidade e generosidade de todos os membros do MVC com a área de temporalidades, reconhecendo a importância que os recursos econômicos têm na manutenção de nossa missão apostólica.

30        Impulsionar a organização das temporalidades, desenvolvendo meios e estratégias a fim de nos ajudar a gerar os recursos necessários além de administrar com cuidado e transparência os bens que nos foram confiados para a missão.


Anunciar a alegria do evangelho

31        “Não estavam ardendo os nossos corações dentro de nós, enquanto Ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?” (Lc 24,32). Esta pergunta ressoou no nosso interior e, como os discípulos de Emaús, nos impulsiona com esse mesmo ardor a anunciar a alegria do Evangelho. Somos cientes de que nosso apostolado é universal, já que não há realidade alguma verdadeiramente humana que nos seja alheia[15]. Com esse coração ardoroso, propomos, segundo nossos acentos apostólicos, as seguintes orientações para o apostolado do MVC nos próximos cinco anos:

Serviço evangelizador aos jovens

32        Descobrimos que a realidade das novas gerações está numa constante mudança. Mesmo assim valorizamos as inquietudes, riquezas e fortalezas da juventude do nosso tempo.

33        Como apóstolos encontramos um grande desafio nas realidades que ameaçam os jovens de hoje, tais como: a falta de compromisso e de relacionamentos autênticos, o barulho e a dispersão, a indiferença, assim como algumas dificuldades psicológicas e morais que podem afetar o encontro com o Senhor Jesus e a capacidade deles entrarem neles mesmos e cultivar a própria vida interior.

34      Reconhecemos que cada jovem está convocado pelo Senhor à santidade através de uma vida cristã coerente que inclui o discernimento de sua vocação particular.

35      Da mesma maneira descobrimos uma riqueza no nosso carisma apostólico que responde de maneira real às novas gerações, oferecendo-lhes um espaço para que se desdobrem com liberdade, responsabilidade e compromisso no serviço da missão.

36      Vemos a necessidade de renovar os meios e ferramentas que utilizamos no nosso serviço evangelizador com os jovens.

Propostas

37      Gerar uma dinâmica de reflexão constante no MVC sobre a cultura juvenil, especialmente escutando os próprios jovens e oferecer, por meio de plataformas virtuais, os progressos destas pesquisas.

38      Oferecer uma formação adequada aos jovens, buscando o diálogo e a colaboração com seus pais, e sugerindo a ajuda de especialistas, se for necessário.

39      Formar os jovens desde tenra idade, em temas de antropologia cristã, dignidade da pessoa humana e moral cristã.

40      Fortalecer características essenciais do nosso carisma como o papel protagonista do jovem na missão evangelizadora, desenvolvendo um apostolado multiplicador que forme apóstolos de apóstolos e enfatizando que o jovem é o principal apóstolo do jovem.

41      Impulsionar o apostolado pessoal, o acompanhamento ao jovem em seu caminho de fé, assim como os Agrupamentos Marianos como comunidades de vida cristã e de amizade autêntica em Cristo.

42      Forjar uma cultura vocacional no interior do nosso Movimento em que o discernimento se realize num clima de naturalidade.

43      Fortalecer o acompanhamento aos jovens antes, durante e depois do seu processo de discernimento vocacional, no qual participem pessoas preparadas de distintos estados de vida.

44        Gerar espaços que ajudem os jovens a entrar em si mesmos e se abrirem à experiência de Deus (caminhadas, retiros, oração em silêncio, serviço aos demais, encontros culturais, etc.).

45        Fomentar no MVC instâncias criativas de apostolado que respondam suas inquietudes, privilegiando diferentes tipos de voluntariado (solidário, catequético, profissional, missionário, ecológico, etc.).

46        Retomar a reflexão e o trabalho sobre um itinerário de vida cristã para os jovens de nosso Movimento que seja flexível, adaptável e que conte com recursos atualizados.

Compromisso solidário com os pobres

47        O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, se desenvolve como pessoa humana pela via do amor. Por isso, queremos levar adiante um apostolado solidário que englobe o ser humano em todas as suas dimensões, e que se desenvolva tanto com os mais necessitados como com os voluntários, evitando sua possível instrumentalização.

48        Descobrimos a necessidade de refletir a partir da espiritualidade sodálite sobre a solidariedade cristã, aprofundando a compreensão da mesma como serviço evangelizador e solidário.  Além disso, consideramos urgente cultivar a formação integral e encarnada dos beneficiários e voluntários, orientada pelo Ensinamento Social da Igreja.

49      Observamos que no MVC é importante promover uma cultura de solidariedade e reconciliação que avive um amor preferencial pelos pobres, no contexto de conversão e de caridade, como um aspecto essencial da vida cristã. Acreditamos que é importante convidar todos os membros do MVC para fazer um exame de consciência pessoal e comunitário sobre como estamos vivendo o nosso amor para com os irmãos que mais sofrem, e para renovar o ardor em lhes anunciar o Evangelho de forma privilegiada.

50      Observamos a necessidade de promover um voluntariado solidário, estruturado e consolidado para responder ao chamado que o Senhor nos faz a viver a misericórdia.

51      Consideramos importante promover a organização do apostolado solidário que integre uma estrutura, uma gestão, a obtenção de recursos econômicos, um adequado relacionamento com a Igreja e a esfera pública, e a sinergia entre as associações, projetos, áreas e regiões, permitindo a correta comunicação para a canalização das iniciativas.

Propostas

52      Estabelecer um comitê internacional para aprofundar sobre o nosso apostolado solidário e sua organização. Este comitê procurará promover eventos e fóruns de cooperação para gerar, compartilhar e divulgar materiais úteis para o trabalho com os nossos irmãos mais pobres.

53        Zelar para que em todo o nosso apostolado solidário vivam-se as mesmas características do apostolado do MVC, acentuando claramente o anúncio do Evangelho, assim como uma promoção humana integral de todos aqueles a quem servimos; oferecendo-lhes um adequado acompanhamento espiritual e sacramental; formando comunidades de fé; promovendo a existência de lugares físicos que ofereçam ajuda às necessidades concretas.

54        Impulsionar o aprofundamento na solidariedade e na caridade das pessoas que ajudam em obras solidárias, aproveitando os materiais existentes, retiros com temas sobre solidariedade, cursos, etc.

55        Desenvolver programas de formação para os voluntários e os beneficiários, considerando sua situação particular: educação, língua, cultura.

56        Incentivar que os membros das diferentes associações do MVC visitem e se envolvam periodicamente em nossas iniciativas solidarias.

57        Promover em todos os membros do MVC, seja de maneira pessoal ou comunitária, a vivência concreta das obras de misericórdia.

58        Formar, estruturar e consolidar um voluntariado MVC, promovendo um maior vínculo dos membros da família espiritual com o apostolado solidário, que responda a um autêntico compromisso a partir do Evangelho.

59      Criar uma plataforma de comunicação interna para compartilhar informações relevantes e criar pontes de cooperação em nosso apostolado solidário.

60      Velar para que em nossas iniciativas e projetos solidários, desenvolvam-se protocolos e cursos de gestão solidária, caminhe-se em direção a uma estrutura autossustentável, tenha-se planos básicos operativos e documentem-se as boas práticas, entre elas a preocupação por garantir que os ambientes em que se desenvolvem as atividades sejam seguros para todos, segundo os fins da missão evangelizadora.

Evangelização da cultura

61      Frequentemente a evangelização da cultura tem sido compreendida como um acento isolado – uma tarefa apenas para artistas, intelectuais, eruditos, etc. – e não como uma dimensão intrínseca que deve nutrir todo o nosso apostolado, pois estamos chamados a instaurar tudo em Cristo sob a guia de Maria. Por isso vemos como um desafio aprofundar em uma compreensão adequada da noção de evangelização da cultura.

62      Nosso lema “evangelizadores permanentemente evangelizados” nos convida a compreender que, como Movimento, temos uma cultura interna que também deve ser evangelizada. Vemos a necessidade de reconhecer com humildade, magnanimidade, corresponsabilidade e reverência os valores próprios para cuidá-los, cultivá-los e desdobrá-los, assim como os antivalores que possamos estar vivendo, para que sejam transformados pela força do Evangelho.

63      Para que o horizonte da evangelização da cultura possa ir adquirindo a importância que tem na missão apostólica que estamos chamados a viver, vemos como um desafio promover entre os emevecistas uma cultura de estudo, reflexão, diálogo e oração.

64      A cultura atual apresenta-se como pós-moderna, pós-humana e globalizada. Nela se manifestam males como o individualismo, o desinteresse pela verdade, a demissão do humano, a idolatria ao dinheiro, entre outros. Isso exige de nós renovarmo-nos em uma disposição de diálogo com a cultura atual desde o coração do mundo, que como nos ensinou o Papa Bento XVI «precisa desenvolver-se [este diálogo] com grande abertura mental, mas igualmente com aquela clareza de discernimento dos espíritos que o mundo justificadamente espera de nós neste exato momento»[16].

65      Inseridos em um mundo onde se vive uma profunda ruptura entre o espiritual e o terreno percebemos a urgência de encarnar uma síntese entre fé e vida. Assim, se vivemos coerentemente a fé, que ilumina e transforma todos os âmbitos de nossa existência[17], contribuiremos, não só nas grandes obras, mas também com nossas vidas cotidianas, para a evangelização da cultura.

Propostas

66      Promover grupos locais de reflexão em um espírito de diálogo e abertura, que se apoiem subsidiariamente nas instâncias da família espiritual que estão refletindo sobre a cultura, a pessoa e a realidade atual, tais como universidades, centros culturais, institutos e outros.

67      Gerar pautas básicas que permitam uma auto avaliação da cultura interna local e geral do MVC, para que vivamos um processo de conversão contínua, e assim possamos trabalhar nos valores que acreditamos necessário impulsionar nos próximos anos.

68      Desenvolver planos de evangelização da cultura para que todos nós, emevecistas, nos comprometamos ativamente na missão de transformar o mundo com audácia, criatividade, atitude de diálogo, perspectiva crítica e incisiva.

69      Oferecer o acompanhamento pessoal e intelectual necessários àqueles emevecistas que tenham uma dedicação particular à evangelização da cultura, cultivando a riqueza da espiritualidade da ação e da identidade laical, para que vivam um apostolado que chegue à raiz da cultura mesma.

70      Fomentar a produção e publicação de materiais, em sinergia com outras iniciativas da família espiritual, que ajudem os emevecistas a compreender seus âmbitos próprios (de trabalho, de interesse, de recreação, de família) desde uma perspectiva de fé, e assim poder assumir um compromisso pessoal para transformar a realidade em Cristo.

Promoção e evangelização da família

71      Constatamos nos membros do MVC chamados ao matrimônio a necessidade de aprofundar em sua vocação, assim como em seu lugar e missão na família sodálite. Igualmente, vemos a necessidade de consolidar sua vida espiritual familiar e seu desdobramento no apostolado de família em família, solidário e missionário.

72      Descobrimos que é essencial impulsionar e desenvolver a formação integral para o matrimônio e a vida familiar em suas distintas etapas, gerando espaços permanentes de reflexão criativos e encarnados, com a finalidade de responder às situações atuais que preocupam a família.

73      Constatamos uma grande necessidade de acompanhamento integral às famílias, tanto àquelas que participam de nossa família espiritual como em toda a sociedade. Vemos a necessidade de ajudá-las em seu crescimento e desenvolvimento pessoal e espiritual, acompanhando de maneira particular àquelas que se encontrem em situações especiais e de crise, tais como: luto, filhos com deficiência, infertilidade, desemprego, doenças, vícios e dependências, infidelidade, divórcio, atenção na velhice, entre outras.

74      Consideramos de vital importância atender e acompanhar os adultos jovens membros do MVC no caminho à sua maturidade, na preparação e acompanhamento na vocação matrimonial, assim como na inserção e desenvolvimento no mundo laboral a partir dos critérios cristãos, com a finalidade de estar no mundo sem ser do mundo (cf. Jo15,19).

75      Descobrimos a necessidade de aumentar nosso espírito crítico frente às correntes de pensamento e culturais contrárias à família e ao matrimônio, tais como a ideologia de gênero e o relativismo moral, assim como enfrentar os movimentos que as promovem.

Propostas

76      Gerar espaços em que se aprofundem na vocação matrimonial e vida familiar. Além disso, propomos desenvolver programas para acompanhar a vida familiar, assim como subsídios, congressos e simpósios.

77      Desenvolver instâncias formativas (oficinas, cursos, conferências e subsídios) de preparação para viver a vocação ao matrimônio, segundo as distintas etapas de preparação (remota, próxima e imediata), considerando também os casais em situações especiais.

78      Implementar oficinas e manuais para formar casais no acompanhamento e orientação a outros casais e famílias com dificuldades.

79      Dar a conhecer as iniciativas que existem no MVC no âmbito familiar, que nos permitem apoiar as famílias em geral e ajudar àquelas que se encontram em situações especiais e em crise.

80      Promover que as famílias realizem missões, apostolado solidário, acompanhem outras famílias e participem nos Encontros Mundiais das Famílias.

81      Lançar iniciativas que se adequem à realidade dos adultos jovens do MVC, nas que eles possam se formar e aprofundar em sua vocação específica, em sua vida espiritual assim como na vivência dos critérios evangélicos e da Doutrina Social da Igreja no âmbito do trabalho. Do mesmo modo, incorporar ao programa de agrupamentos marianos a formação integral da vocação ao matrimônio.

82      Formar-nos, guiados pelo Magistério da Igreja, para compreender cada vez melhor os desafios que a cultura da morte e do descarte propõem à família; e promover iniciativas que deem testemunho ao nosso mundo da beleza do Evangelho da Família.

Promoção da vida, dignidade e direitos da pessoa humana

83      Ante os constantes ataques da cultura de morte, descobrimos a necessidade de promover e defender com maior vigor a vida, desde o momento da concepção até a morte natural.

84      Constatamos na atualidade um desconhecimento e abuso dos direitos e da dignidade da pessoa humana, especialmente da mulher, do doente, do idoso, das crianças nascidas e por nascer, dentre outros, que se encontram em situação de vulnerabilidade. Nesse sentido, consideramos de vital importância enfrentar tal injustiça.

85      Em uma cultura hedonista que dissocia amor e sexualidade, descobrimos a necessidade de promover uma compreensão reta da sexualidade humana e da abertura à vida.

86      Vemos a necessidade de chegar, acolher e ajudar em seu caminho de reconciliação àquelas pessoas que estejam sofrendo ou que tenham sofrido situações como: violação, atração pelo mesmo sexo, dependência sexual, suicídio, aborto, violência doméstica, entre outros, a partir da misericórdia a que nos convida o Senhor Jesus.

Propostas

87      Rezar pessoal e comunitariamente pela defesa da vida e da dignidade da pessoa humana.

88      Ter uma participação institucional nas iniciativas de promoção e defesa da vida humana da Igreja local, bem como oferecer um serviço eclesial de formação, de jovens para jovens, na virtude da castidade.

89      Elaborar e realizar cursos de educação para o amor e para a reta sexualidade para jovens e adultos, assim como oficinas para pais na educação de seus filhos em temas relacionados com a sexualidade e o respeito à dignidade humana.

90      Introduzir nos manuais de formação critérios para a defesa da vida.

91      Alentamos a difusão do material existente sobre sexualidade e vida disponíveis nos diversos meios e iniciativas de nossa espiritualidade e da Igreja universal.

92      Promover o voluntariado em lugares ou instituições que desenvolvam atividades com pessoas vulneráveis: asilos, abrigos, prisões, etc. Do mesmo modo, multiplicar as iniciativas que promovem a dignidade das pessoas e promover a comunicação entre as existentes.

93      Formar-nos para saber como alcançar com misericórdia e caridade as pessoas que vivem em situações de particular sofrimento físico, moral ou espiritual. Segundo a gravidade da situação, propõe-se coordenar com iniciativas existentes na família espiritual e fora dela.

94      Difundir e aprofundar no material existente do Magistério e outras fontes autorizadas, acerca destas realidades difíceis e gerar instâncias de acolhida, em chave pastoral, para aquelas pessoas que se encontram nas situações antes descritas.


CONCLUSÃO

95      Ao experimentar como família a presença do Espírito Santo, «alma da Igreja evangelizadora» (EG, 261), sob sua influência tentamos reunir as inquietudes e necessidades daqueles irmãos e irmãs que representamos. Com espírito de alegria e irmandade, regressamos a nossos lugares de origem cheios de esperança, levando estas conclusões como fruto de nosso trabalho. Temos a esperança de que, como MVC, com este impulso renovado saiamos «para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo» (EG, 23).

96      Confiamos os trabalhos e frutos desta Assembleia à nossa Santa Mãe Maria, pioneira da evangelização audaz. Assim como o monte de Tepeyac deu um impulso renovado à primeira evangelização americana, a Ela pedimos hoje que nos guie na apaixonante aventura da Nova Evangelização.

97      Sua imagem plasmada com tinta divina no poncho humano nos mostra que Maria é nossa Senhora da Reconciliação. Por isso imploramos-lhe que ajude também a nós a sermos “artesãos da reconciliação”, como nos exortou São João Paulo II em nossa I Assembleia Plenária.

98      Cheios de gratidão a Deus por todas as bênçãos que derramou sobre nós nestes dias, exclamamos a uma só voz: «O Senhor fez grandes coisas por nós e estamos alegres» (Sal 125,3)

99      Agradecemos de coração também a todas as pessoas que tornaram possível o bom desenvolvimento de nossa IV Assembleia Plenária, especialmente a Universidade Católica San Pablo, a seus diretores, pessoal administrativo e de serviço, a todos os emevecistas desta Cidade Branca que nos acolheram e a todos aqueles que em silêncio e generosamente nos apoiaram e acompanharam com suas orações.


[1]Estatutos, 33.

[2]Evangelii gaudium, 25.

[3] Ver Estatutos, 9.

[4] Ver 2 Cor 5,20.

[5] Ver Mc 2,22.

[6]Evangelii gaudium, 259.

[7]Estatutos, 7.

[8]Estatutos, 3.

[9]Evangelii gaudium, 29.

[10]Jo 15,11.

[11]Estatutos,1.

[12] Ver Estatutos, 8.

[13]Ver Estatutos, 5.

[14] Ver Estatutos, 8.

[15]  Ver Gaudium et spes, 1

[16] Bento XVI, Discurso aos cardeais, arcebispos, bispos e prelados da cúria romana 22/12/2005

[17] Ver Lumen gentium, 31.